A Psicologia Clinica lida essencialmente com a parte afectiva do ser
humano e esta parte influencia todas as outras áreas do nosso
funcionamento. Independentemente da faixa etária, quando estamos
infelizes não conseguimos ter o melhor dos rendimentos no nosso
dia-a-dia, quer seja no trabalho/escola, ou em casa com a famÃlia,
amigos e relações amorosas.Quando não damos o nosso melhor
rendimento, começamos a sentir-nos mais incapazes tornando a
situação numa bola de neve, onde já não se sabe o que causa o quê,
nem onde tudo começou.
Muitas vezes comportamentos e sentimentos (tanto nos nossos
filhos/famÃlia ou em nós mesmos) que nos parecem à primeira vista
desadequados nem sempre são sinais de alarme, por vezes podem
simplesmente corresponder à fase de desenvolvimento em que a pessoa
se situa, ou até serem adequados dependendo da situação que a pessoa
está a viver no momento. No entanto nem sempre se consegue perceber
isso, ou porque a pessoa está demasiado envolvida na questão, e/ou
porque é uma situação complicada e dolorosa e por isso não consegue
diferenciar o que é adequado ou não.Qual o papel do psicólogo ?
O papel dos psicólogos clinicos será o de ajudar a desembaraçar a
confusão da vida da pessoa, fazendo com ela uma viagem em que a irá
guiar de forma a conseguir encontrar o seu caminho, a sua realidade
e claro a sua felicidade.
Uma consulta de psicologia tem sempre implÃcita uma relação entre o
paciente e o psicólogo.
Segundo uma das definições do Dicionário de Psicologia, uma Relação
é “qualquer ligação entre duas variáveis de tal modo que a variação,
numa delas acompanha a variação produzida na outra” (Chaplin, 1981).
Numa relação terapêutica, deve existir esta variação, no duplo
sentido: Paciente- psicólogo e psicólogo- paciente. A viagem é
muitas vezes conduzida pelo paciente (paciente- psicólogo) que guia
o psicólogo através das suas experiências/sentimentos e com isso o
conduz a um grau de entendimento do seu sofrimento. Por vezes o
paciente também necessita de orientação e de um feed-back acerca do
trabalho que ambos estão a realizar e nessa altura o movimento
faz-se no sentido inverso (psicólogo- paciente).
Para que este movimento se dê, é necessário que seja estabelecida
uma relação positiva entre as duas partes, em que o paciente se
sinta seguro e confiante o suficiente para estabelecer um vinculo
com o psicólogo de forma a poderem ambos trabalhar no mesmo sentido.
Nesta relação o psicólogo deverá respeitar a dignidade do Outro e os
seus direitos enquanto indivÃduo, deverá ter a responsabilidade para
utilizar os conhecimentos adquiridos na formação e respectivos
materiais de forma integra e honesta, e a competência para respeitar
os seus conhecimentos e ter a consciência de continuar a investir na
sua formação para melhor poder ajudar o Outro.
Num ponto de vista muito pessoal, numa relação terapêutica o simples
facto de estar lá por vezes é mais do que suficiente para começar a
produzir uma alteração positiva, e sentir que a palavra no contexto
terapêutico deve ser utilizada com o máximo cuidado ao serviço do
outro. Por vezes um olhar compreensivo poderá devolver ao outro a
empatia necessária para se estabelecer uma ligação, transmitindo
conforto ou transmitindo simplesmente a mensagem de que estamos com
ele, que sentimos o seu sofrimento, que sabemos o que está a sentir.
Ir a uma consulta de psicologia não significa que se esteja louco.
Qualquer um de nós, poderá atravessar momentos difÃceis na vida. Ou
porque a vida assim o proporciona, ou porque algo no nosso
desenvolvimento não correu como o esperado. Isso não implica que a
pessoa enlouqueça, pode apenas significar que precise de “tratar”
alguns aspectos da sua vida psÃquica de forma a voltar a ter uma
vida equilibrada.
Os psicólogos são técnicos especializados com conhecimentos e técnicas
de intervenção, que um amigo, por melhores que sejam as suas
intenções, não tem. É por esse motivo que um desabafo com um amigo
pode não ser suficiente para aliviar determinados tipos de
sofrimento.
É necessária muita coragem para sabermos quando devemos pedir essa
ajuda de forma a ultrapassar as nossas dificuldades, buscar o nosso
equilÃbrio e conseguir estar bem connosco próprios.